óh, minha mãe Janaína proteja os pescadores, dê boa voz pros cantores pra cantar as cirandas e os maracatus, também frevos pulantes que animam os carnavais e as canções dos amantes com som de ternura e paz
as coisas novas vão surgindo, eu já esperava, andando pelos quatro cantos do meu mundo de portas e janelas abertas. as coisa são transparentes ou não, são saborosas ou não, delicados acontecimentos refrigeram meu deserto, florescem meus amores sem nome e minha agenda de lembranças. tenho coisas pra contar, uns dias bons, uns dias ruins, os espirros de doenças mal curadas...
amanhã tudo pode mudar outra vez, nos meus atropelos de palavras sem fim, minha mania de nunca dizer não, meu desespero, meu medo de ser.
tenho medo dos meus pensamentos, medo das minhas saudades. quando sinto, quando penso logo mergulho em uma banheira de gelo, congelo qualquer lembrança. evito os caminhos, os mesmo lugares, evito respirar do mesmo vento, invento, sempre em movimento busco os outros, o resto, algo mais. busco um caminho pra deixar o passado virar passado.
trocando as pernas por um passo de dança, pensando no futuro, dias mais corridos que os de agora, pensando nos filhos que posso ter e como seria, ser mãe. seria.
gosto dos meus cabelos, gosto do cabelo dos outros, gosto do meu gingado de pensamentos atropelados, gosto de gostar e gosto de não gostar da menina que fala alto demais pra todo mundo ouvir.
eu tinha algumas musicas no bolso que me confortariam por um tempo, agora já não tenho mais, preciso de outras e estou à procura. Confesso meus dias inquietos, discretos, de saias longas e amores curtos, ainda tenho um pouco dele dentro de mim. Ando vendo novela até o dia em que não ficarei por aqui durante a noite, ando escutando mais as musicas que sobraram de outros tempos, ando sonhando e pesquisando mais, ando com os pés ariscos.
sei que sempre vou ter miudezas pra contar, algumas boas, outras ruins, umas longas e outras tão ligeiras que nem vejo passar.
sei que ainda vou sofrer por não saber me conter, por não aprender a observar antes de amar.
sei também que vou passar muito tempo tentando entender o porque ele demorou tanto tempo pra mostrar a verdade que sentia, porque eu fiquei tanto tempo esperando por um sentimento que não vinha.
sei que o tempo vai continuar girando e o sol vai sempre chegar, sei que ver o mar sempre vai me emocionar, que vou me sentir bem daqui um tempo.
sei que ele me fez chorar, que não tenho culpa por amar, que tudo o que escrevo "leve" é pra me refrescar.
sei que vou me derreter toda vez que escutar uma música diferente, sei que vou dançar como se não tivesse ninguém por perto, sei que vou dizer que ela é bonita, mas que o menino é mais ainda, sei que o girar da saia e o vento que faço é só meu e quem viu não esqueceu.